Sindiperícias responde matéria de Zero Hora sobre servidores inativos

Nesta segunda-feira (2), o jornal Zero Hora publicou reportagem claramente tendenciosa a respeito dos servidores inativos do Estado, sob o título “Inativos já são 55,4% da folha de servidores do RS”. O texto atribui aos aposentados responsabilidade sobre a crise financeira do Rio Grande do Sul, indicando que hoje estes são maioria entre os servidores, e que por conta da paridade salarial, estariam onerando as finanças estaduais. A reportagem ouve especialistas que defendem aumentar a idade mínima para aposentadoria, chegando a usar a expectativa de vida mais alta da população gaúcha como argumento. Nos questionamos: deveríamos morrer mais cedo para que nossa aposentadoria não seja questionada?

Como entidade representativa dos servidores do IGP, o Sindiperícias vem a público manifestar indignação com o viés adotado pelo jornal Zero Hora. O Rio Grande do Sul chega ao ano de 2018 com mais aposentados do que servidores da ativa graças ao sucateamento do serviço público promovido pelo atual governo. Se não há concursos públicos, como suprir as vagas deixadas por aqueles que já cederam décadas de suas vidas trabalhando por nosso Estado? Sem mais trabalhadores na ativa, realmente a conta não fechará. Como a própria reportagem traz à tona, já foram estabelecidas a criação de um fundo de capitalização, em 2011, e da previdência complementar em 2015, medidas que visam ajustar as contas da Previdência no RS. Além disso, é preciso lembrar que os inativos seguem contribuindo para a previdência.

Considerando somente a perícia oficial, somos apenas 640 servidores para atender a todo o Estado. No último concurso, 20% dos aprovados desistiram das vagas em função dos baixos salários. Nós, servidores, trabalhamos durante 30 anos servindo à população do Rio Grande do Sul antes da aposentadoria, vivenciando todo o tipo de tragédia e violência sem nenhum tipo de suporte psicológico por parte do governo estadual.

Além disso, atribuir aos aposentados parcela de culpa pela situação econômica do Estado é fechar os olhos para os milhões de reais sonegados em impostos estaduais e não cobrados, para as isenções fiscais a grandes empresas e que não geram retorno à população gaúcha. Quem realmente dá essa resposta é o servidor público, que dedica sua vida profissional a servir aos cidadãos gaúchos na linha de frente. Colocamos nossas vidas em risco muito antes da chegada da aposentadoria para que a população do Rio Grande do Sul tenha o máximo de eficiência em investigações criminais, liberação de corpos e identificação.

A solução para que haja mais ativos do que inativos no RS é realizar concursos públicos, preencher as diversas vagas que hoje estão vazias e sobrecarregando servidores da ativa, que trabalham com déficit de pessoal. Do mesmo modo, para sanar a crise econômica, o caminho não passa pela retirada de direitos e sim por uma gestão consciente, que cobre de quem realmente deve ao Estado e não aos aposentados. Estes já contribuíram para um Rio Grande do Sul melhor e agora, no momento do descanso, têm que lidar com pagamentos atrasados e a humilhação de serem responsabilizados pela má gestão promovida pelo governo.