Resposta ao colunista Paulo Germano, do jornal Zero Hora

A edição dos dias 1º e 2 de setembro do jornal Zero Hora deixou um gosto amargo na boca dos servidores do Instituto Geral de Perícias. Ao repercutir a demora na realização das perícias em veículos roubados que se encontram em depósitos do Detran, o colunista Paulo Germano levanta uma hipótese criminosa: a de que os servidores do IGP agilizariam a liberação dos automóveis em troca de “uns trezentinhos”, generalizando acerca da índole de todos os que compõem o quadro efetivo da perícia gaúcha. Tentamos contato via telefone e por e-mail com o colunista a fim de solicitar nosso direito de resposta. Como não obtivemos retorno ao longo da semana passada, optamos por encaminhar o caso ao jurídico do sindicato e publicarmos esta nota.

Além de ter cometido uma grande injustiça com centenas de trabalhadores que dedicam suas vidas a servir à sociedade gaúcha, Germano perdeu a oportunidade de mostrar aos leitores a triste realidade por trás da demora nas perícias. Por isso, prestamos o esclarecimento. O IGP está sucateado. Não há servidores o suficiente para a demanda de trabalho.

A legislação gaúcha prevê que o quadro de pessoal da perícia seja composto por 1.700 servidores. Hoje, há menos de 700 na ativa. Muitos municípios do interior não possuem postos de atendimentos. Aqueles que os têm contam com um ou dois servidores para atender regiões inteiras. Estes colegas chegam a percorrer 1000km em um único dia para atender ocorrências de morte (homicídios, suicídios, acidentes de trânsito e necropsias) em razão da distância entre a cidades. E isso não é eventual, mas a regra enfrentada no cotidiano da perícia. A situação impõe sobrecarga aos trabalhadores e demora na realização dos serviços.

Ao invés de supor que haja corrupção por parte de servidores do IGP, o colunista de Zero Hora poderia ter investigado as verdadeiras razões para a demora desse serviço, que de tão essencial à população, é motivo de repercussão na imprensa. O motivo é o descaso do governo estadual para com nossa categoria. A falta de concursos que contemplem todas as carreiras do IGP é vergonhosa. Precisamos de mais fotógrafos criminalísticos, papiloscopistas, peritos, médicos-legistas e técnicos em perícia atuando em todo o Estado.

Como um trabalho que deveria estar sendo realizado por 1.700 pessoas poderá ser feito em tempo hábil por menos de 700? Estamos falando de uma conta que não tem como fechar. Como servidores do IGP, precisamos do apoio de toda a sociedade gaúcha para demonstrar a situação calamitosa em que nos encontramos. Nesse sentido, incluem-se não apenas os servidores e seus familiares, mas aqueles que desejam recuperar seus veículos com mais velocidade e também a grande imprensa.

No lugar de calúnias sobre os servidores de nossa categoria, queremos a verdade nas páginas dos jornais. E a verdade é que necessitamos urgentemente de concursos públicos que ajudem a sanar o déficit de pessoal e assim acelere a realização de perícias no Estado do Rio Grande do Sul.

 

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